O sábio doutor disse-me, um dia, que o mundo ia acabar. Eu perguntei-lhe porquê, mas ele limitou-se a perguntar-me se eu era maluco ou estava doente. Disse-lhe que sim, certamente. Como não ser maluco e estar doente no mundo de hoje?
Ele franziu os olhos e agradeceu-me por lhe ter salvo a vida.
Questionei o sábio doutor sobre como poderia um maluco e doente como eu tê-lo salvo. Afinal, devia ser o sábio doutor a salvar-me a mim.
Mas ele disse-me que, há muito tempo, olhava ao redor e via as pessoas estranhas. Quanto a ele, as pessoas pareciam estranhamente bem, bem-dispostas e alegres. Eu perguntei-lhe porque é que isso o atormentava e ele, furioso, disse-me que jamais poderia permitir que as pessoas ficassem curadas. Ele era doutor, mas não queria curar as pessoas. Disse-me ele que o que queria era fazer as pessoas acreditar que as queria curar, quando, na verdade, apenas as queria manter suficientemente doentes para acreditarem que estavam a ser curadas.
Fiquei chocado quando percebi que, afinal, o sábio doutor tinha ficado contente por eu estar doente e maluco, porque tinha finalmente encontrado alguém que lhe pudesse pôr pão na mesa e continuar a sentir-se útil.


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