O Sábio (Doutor)

Ele franziu os olhos e agradeceu-me por lhe ter salvo a vida.

Questionei o sábio doutor sobre como poderia um maluco e doente como eu tê-lo salvo. Afinal, devia ser o sábio doutor a salvar-me a mim.

Mas ele disse-me que, há muito tempo, olhava ao redor e via as pessoas estranhas. Quanto a ele, as pessoas pareciam estranhamente bem, bem-dispostas e alegres. Eu perguntei-lhe porque é que isso o atormentava e ele, furioso, disse-me que jamais poderia permitir que as pessoas ficassem curadas. Ele era doutor, mas não queria curar as pessoas. Disse-me ele que o que queria era fazer as pessoas acreditar que as queria curar, quando, na verdade, apenas as queria manter suficientemente doentes para acreditarem que estavam a ser curadas.

Fiquei chocado quando percebi que, afinal, o sábio doutor tinha ficado contente por eu estar doente e maluco, porque tinha finalmente encontrado alguém que lhe pudesse pôr pão na mesa e continuar a sentir-se útil.

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