A palavra nada significa. É tão estéril quanto um cemitério. Muda, sem alma nem vontade: um vazio. A palavra é um conjunto de riscos sem sentido. Somos nós, humanos, que atribuímos a esses riscos a forma de símbolo. E são esses símbolos, muito cuidadosamente ou de forma totalmente desprezível, que ganham a capacidade de significar algo.
Um significado que não está contido como condição de vida do símbolo, mas que resulta de uma leitura muito eficaz — muitas vezes, senão quase sempre, ineficaz — do significado que atribuímos ao símbolo.
Somos nós, humanos, que criámos essa nobre tecnologia de perceber o mundo. Uma vez dada vida ao morto, este cadáver sem alma passa a ser manipulado pelo humano ao seu bel-prazer. Damos-lhe a forma e o conteúdo que desejamos, ordenando ao cadáver que se mantenha morto, porque só assim lhe atribuímos a vida que queremos que ele tenha.
É desta forma que comunicamos: através de cadáveres que ganham vida, não a deles, mas a que nós lhes emprestamos e retiramos, quando e como nos dá jeito.
Estes cadáveres são escravos da nossa necessidade de compreender o mundo e, uma vez mortos, ficamos sem conseguir viver.

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