Exorcismo de energias

Os machos — sob o signo Homem — têm a sua energia evolutivamente cadenciada para o confronto. E, por isso, querem a guerra.

As fêmeas — sob o signo Mulher —, por outro lado, têm a sua energia evolutivamente cadenciada para o cuidado e diplomacia. Para a arte da escuta e da compreensão. É por isto que querem a paz.

Contudo, estas energias misturaram-se ao longo do tempo. Não era assim quando ainda andávamos a saltar de galho em galho na floresta. Agora, ninguém — macho ou fêmea — é exclusivamente guerra ou paz.

Machos podem usar a guerra para defender a paz da sua tribo, tal como as fêmeas podem usar a escuta para manipular para a guerra.

Neste sentido, a Igreja judaico-cristã, por exemplo, apesar de ser feita por machos — sob o signo do Homem —, é uma instituição de divina comédia profundamente fêmea — a energia feminina, portanto. É interessante pensar nisto por este point of view. Contudo, as energias das suas mais nobres ovelhas guerreiras não cessaram. Têm-se manifestado.

Os movimentos feministas, por exemplo, ficam radiantes quando veem homens — com a sua energia macho — a exorcizar a sua energia masculina e a transformar-se em delicadas borboletas do cuidado, da escuta e da paz. É a grande vitória — quando o fenómeno acontece — da diplomacia das forças num mesmo corpo de ser. Apesar de me questionar o quão fundidas estão essas novas energias ao ser. Talvez seja só “para a inglesa ver”. Ou não. É outra história.

Por outro lado, temos feministas — as guerreiras da paz — que ficam horrorizadas quando veem tal fenómeno do exorcismo, mas com o sentido oposto. Quando fêmeas encontram na energia masculina um porto seguro de afirmação e expansão. Perguntam-se elas “como é possível que uma de nós – do lado bom da energia – ter migrado para o lado mau da energia?”

Este texto, não é uma ode ao radicalismo de forças ou à supremacia de uma delas. É apenas uma análise de como o medo social perante as incertezas — cada vez mais incertas — da vida quotidiana consegue deixar, tanto machos como fêmeas, totalmente desorientados quanto àquilo que acreditam ser os seus papéis sociais — Homem e Mulher. Uma profunda perda de identidade coletiva e pessoal — se é que alguma vez, realmente, houve essa identidade —, provocando uma histeria coletiva.

Pessoalmente, desde que me conheço “enquanto pessoa”, sei-me perfeitamente cadenciado por forças do ouvido direito — aquele que ouve melhor —; contudo, como sou surdo do ouvido esquerdo, preciso de atacar antes de ser atacado, quando sinto que vou ser atacado — experiência que nunca foi nova na minha vida. O meu ataque é uma defesa. Na verdade, é o que todos fazemos — machos e fêmeas, sob os signos Homem e Mulher. Todos nos munimos dos polos para defender o nosso meio.

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