G-RH-P

É-me muito difícil conceber — digamos, aceitar de bom grado — a ideia de que o mercado de trabalho seja, no fundo, um mercado de interesses. A verdade é que o é, efetivamente. Mas não é dos interesses corporativos que escrevo nestas linhas. Falo dos interesses dentro do corporativo. Não falo da máquina capitalista. Falo da máquina corporativa. Essa máquina que funciona — ainda — sob a energia usada por humanos. A minha curta crítica, nestas linhas, dirige-se àqueles que querem vingar no mercado capitalista — vulgo “ganhar dinheiro”, obter lucro, para sustentar o negócio e a família —, mas conseguem ser absurdamente delinquentes no que toca ao tecido humano dentro da corporação.

Falo, essencialmente, de empresas que têm nos seus quadros pessoas cujo comportamento fundamental não é o de “andar com a empresa para a frente”, mas da principal importância de andar a fazer gestão de recursos humanos pessoais — gerir o campo de interesses pessoais. Uma espécie de manipulação no campo social de forma a favorecer os seus principais interesses. Contudo, não é novidade para mim — nem nenhum escândalo — que o humano, antes de pensar em objetivos em comum, se preocupe em se sustentar a si e à sua família. Não me parece que haja grandes dúvidas quanto à veracidade desta minha afirmação; contudo, enquanto filósofo, será um erro crasso não me problematizar a mim mesmo e às minhas ideias. Por isso mesmo, abro agora a possibilidade de estar errado. E, se estiver, quero muito ser o primeiro a perceber melhor a situação.

Voltando, parece-me que os sociólogos e antropólogos já fizeram o ótimo trabalho de estudar e concluir que, quanto maior o número de humanos envolvidos na corporação, maior a probabilidade de constantes atritos sociais. Eles explicam muito bem o fenómeno e, por isso mesmo, não ouso, agora, fazer esse exercício. Ainda assim, questiono-me como o humano, no alto da sua autoproclamada racionalidade, consegue manter este registo que em nada beneficia os objetivos da corporação — são eles, fundamentalmente, o lucro e a sustentabilidade própria. Acrescento agora: a expansão. Contudo, é impossível haver expansão quando o organismo nem sequer consegue — ou “mal e porcamente” consegue — autopreservar-se. Isto é biologia pura. É o princípio mais elementar da vida. Sem autopreservação, não há expansão. Vá, minto, pode haver. Mas muito, muito precária. Isto é um juízo de valor, sim, ao qual não me vou alongar agora. É discutível, portanto.

O cerne da minha questão — onde o meu sangue entra em ponto de caramelo — é a suprema incompetência, não necessariamente das chefias nas organizações, mas daqueles que fizeram crer ao inconsciente coletivo das massas que somos todos pela paz e que queremos o bem de todos. O problema é o comportamento humano ou a estrutura que o incentiva? Sejamos sérios! Mas também claros: o que queremos, afinal de contas, autopreservar-nos ou dinamizar a corporação? Francamente… acho que todos, lá no fundo da nossa floresta, sabemos qual é a resposta.

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